Quando "ser quem você é" parece difícil

Existe um cansaço que quase nunca é físico, mas resultado de uma autovigilância. Ele vem do esforço constante de monitorar o tom da voz, a postura do corpo, os pronomes que você usa em uma conversa de trabalho ou a forma como expressa afeto em público. Para muitos, ser quem você é parece algo natural, mas para pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ viver em sociedade ainda exige uma negociação diária com o ambiente à sua volta.
Crescer e circular em espaços que não foram desenhados para acolher a diversidade nos força a criar uma dinâmica de adaptação. Ao longo do tempo, aprendemos a ler os ambientes antes mesmo de entrar neles, avaliando se aquele espaço é seguro, se as pessoas vão nos aceitar ou se precisaremos modificar gestos, posturas ou modos de ser para evitar constrangimentos ou julgamentos.
Esse hábito de autoproteção, que podemos descrever como um mecanismo de defesa, cumpre um papel importante em momentos de vulnerabilidade, mas também deixa marcas emocionais. Quando nos habituamos a nos auto vigiar e modificar nosso jeito de ser para caber nas expectativas alheias, o sentimento de pertencimento se torna distante. Surge, então, uma sensação incômoda de isolamento e inadequação, como se ninguém realmente conhecesse a nossa totalidade.
Viver em alerta consome uma enorme quantidade de energia psíquica. O que pode gerar um cansaço, esgotamento mental, irritação, entre outros sintomas. Muitas vezes, a necessidade de validação externa não nasce da vaidade do ego, mas de uma busca legítima por segurança emocional e pertencimento.
O conflito interno se intensifica quando a voz que cobra conformidade já não vem apenas de fora, mas de dentro (processo de internalização). A autocrítica se instala, gerando um impacto na autoestima, dificultando a construção de relações afetivas positivas e fazendo com que a própria identidade pareça mais um fardo do que um lugar de reconhecimento e pertencimento.
Na Abordagem Centrada na Pessoa, partimos do princípio de que todo ser humano possui uma tendência natural ao desenvolvimento, quando encontra as condições adequadas para isso. Esse processo, não depende de fórmulas prontas ou conselhos genéricos, mas de uma processo singular de compreensão, a partir de uma experiência genuína de escuta empática, consideração incondicional e ausência de julgamento.
Quando você encontra um lugar onde não precisa performar uma masculinidade tóxica e cisheteronormativa, sem justificar sua identidade ou esconder seus afetos. Aos poucos, torna-se possível baixar a guarda, reconhecer e reintegrar as partes de si que foram silenciadas e aceitando o seu modo de ser em sua totalidade.
Se você percebe que sustentar quem você é tem sido uma experiência difícil, solitária ou conflituosa, você não precisa atravessar isso sem apoio. Você pode buscar ajuda através de um profissional capacitado para compreender sua experiência como uma pessoa LGBTQIAPN+. Meu trabalho é oferecer um espaço clínico seguro, ético e de escuta atenta, onde a sua história e a sua individualidade sejam compreendidas por inteiro, através de atendimentos online e também presenciais em São Paulo. Se você sente que é o momento de cuidar da sua saúde mental, entre em contato comigo pelo WhatsApp para conversarmos sobre como a psicoterapia pode fazer sentido para você.



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